sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Deixa o Bicho

Para todos que gastam alguns minutos da vida nessa página



Eu sei que ninguém me obrigou a escrever esse texto e tampouco manter essa página perdida. É que às vezes me pego perguntando a mim mesmo: qual o sentido de manter um blog quando não há nenhuma razão profissional para isso?

Sei também que ninguém me implorou de joelhos para essa prestação de contas. Ela é indevida. Esse texto é atrevido.

Esse texto também é uma tentativa de deixar registrada uma percepção íntima minha: sinto uma necessidade brutal de me expressar. Não importa muito elencar aqui as razões que me fizeram concluir isso.

Eu poderia dizer que um dos motivos foi ter uma vida um tanto pobre do ponto de vista amoroso. Relacionamentos não correspondidos. Relacionamentos que não me deram tempo de me mostrar. Ou que esse blog existe porque os livros da minha estante me influenciam e oferecem matéria prima.

Ou poderia resumir que o algumas paradas só existe por uma facilitação tecnológica contemporânea de estabelecer algum tipo de comunicação mais abrangente. E que faz escutar o anônimo.

Todos querem voz e vez.

O fato é que essa necessidade asfixiante de me expressar impulsionada por uma vida “só” resultou nesses devaneios virtuais, nessas confissões banais.

O Capinejar já disse mais de uma vez que todo o texto precisa trazer confissão. Seus textos são confissões.

Deixa o Bicho, música de Nei Lisboa, diz num dado momento:

Tudo é caminho
Deixa o bicho
Tudo é vontade de acertar
(...)
Alguns edifícios por dia desabam dentro da avenida...

Esse blog é um caminho. E o que eu quero é acertar. Mesmo que algum dia esse edifício desabe dentro da avenida.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Bissexual por alguns instantes



Já tenho tudo articulado em minha cabeça. Todos os passos. Se o Inter for bicampeão da América, serei, por alguns instantes, bissexual. Beijarei o D’Alessandro na boca, mesmo com um forte aparato de segurança.

E essa queda pelo D’Alessandro começou desde sua chegada a Porto Alegre, quando vestia um boné branco e uma jaqueta de couro. Então pensei:

- Poxa, esse cara é diferente!

Na seqüência, essa admiração gay pelo D’Ale só aumentou com suas belas atuações, dando um salto de qualidade ao time do meu coração. Jogo após jogo, meus olhos eram quase exclusivos para o argentino, parecendo à namorada que acompanha o namorado nos jogos de fim de semana.

Esses dias, quase me entreguei. Assistindo o jogo do Inter com alguns amigos, e num nervosismo feminino, quase grito para a TV:

- Vai D’ Alessandro, gatinho!

Seria muito difícil para mim admitir, para os poucos amigos presentes, e difícil para eles aceitarem, naquela noite fria, que sinto uma queda pelo cabeçudo.

Contive-me.

E se não bastasse todo o talento diferenciado desse cara dentro de campo, percebi, desde sua chegada, que ele usa um piercing abaixo da boca, no canto direito. E que suas tatuagens são um tanto diferentes.

 Ora, tudo isso fez aparecer esse meu ímpeto e, então, concluí:


- Se o Inter for bicampeão da América, serei, por alguns instantes, bissexual. Beijarei o D’Alessandro na boca!

Babarei sua boca e seu Piercing.

domingo, 8 de agosto de 2010

Lisa



Era uma noite perfeita para se estar na rua, namorando. Fazia meia-estação, lembro-me que vestia um jeans surrado e uma camiseta totalmente branca. Ela vestia um vestido com estampas coloridas e diferentes. Ambos estavam estilosos.

Tudo se encaixava para o sucesso de um garoto com pouco mais de 17 anos: Uma guria bonita e mais velha querendo transar com ele sem muito compromisso, sem maiores satisfações.

A ansiedade me invadia o peito. Eu não era virgem, mas sua idade e sua postura tão natural minutos antes do ato, confesso, assustava-me. Nós estávamos prestes a transar em praça pública, poucos metros da minha casa.

Já era um fato consumado entre meus amigos tal acontecimento. Ela já havia anunciado que sentia verdadeira atração física por mim. Eu realmente possuía um corpo respeitável, com coxas e bunda salientes, segundo minhas amigas.

Depois de beijos, lambidas e abraços dignos, ela profere:

- Vagner, tô muito a fim de transar contigo, agora!

Aquela frase tinha sido a prova cabal de que eu estava me envolvendo, não com uma guria, mas com uma mulher, que tinha pulso firme, convicção.

Mas eu não estava, naquela noite de meia-estação, ainda pronto pra encarar aquele ímpeto fogoso e adulto.

Levantei meu jeans surrado segundos depois de baixá-lo.
Eu não funcionei.

Eis que ela me surpreendeu com as palavras mais lindas, doces e afáveis que já escutei de uma mulher num momento difícil como esse para o homem:

- Vagner, relaxa, acontece, talvez tenha sido culpa minha!
- Eu fui com muita sede!
- Eu te agredi!

Eu estava mesmo diante de uma mulher.

No dia seguinte, seguro de não revelar para ninguém detalhes daquela noite catastrófica, pois não suportaria tamanha gozação, ouço de um amigo fardado, nós estávamos em direção ao campinho:

- Bá, conseguisse o inédito, conseguisse broxar com aquela gata da Lisa!