quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Não há espaço para vaidade


Queria fazer um intensivo com elas. E não faria questão de um certificado de 40 horas. Matricular-me-ia apenas com o intuito de crescer filosoficamente. Aqui, onde me encontro, é complicado crescer filosoficamente.

Aqui, crescemos materialmente, justificamos os meios em nome da bravata final. O valor está no tamanho da bravata. Para muitos, a relevância está no tamanho da barra lateral de rolagem. O tamanho do Lattes.

Que bobagem! Sou impotente. Eu, daqui algum tempo, também me preocuparei com o tamanho da minha página virtual. Além disso, existem outros fatores: a prestação do carro, do apartamento, o enxoval.

Não vejo a hora de mudar a página. Voltar como uma formiga. Minha única preocupação será com o bem comum da colônia. Trabalhar num formigueiro. Nesse ambiente, não há espaço para a vaidade. Não há bravata.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O mundo é mesmo deles


Ao entrar no quarto, percebo meu travesseiro preferido mijado. Possuo três e justamente o mais confortável está molhado. Viro bicho. Corro para seu lugar de meditação, produzo centenas de sentenças ásperas, xingo quase que irracionalmente.

Sempre a mesma coisa: estabeleço regras para um melhor monitoramento, vigia constante, nossa relação não suporta mais uma gota fora do pinico. Prometo agressão física, se ele não mudar de postura.

Ele parece não dar a mínima para a minha irritação. Que bicho irritante! Não suporto sua falta de respeito, comento com os mais próximos, que, ter bicho dá muito trabalho, que eles sujam demais a casa. O que falo é diferente do que sinto.

Continuo sendo hostil. Mas por que ele não se abala com a minha hostilidade? Será que não me leva a sério? Eu acho que o mundo é mesmo dos cachorros. Pensamos que estamos sempre no controle, mas, no fundo, acho que eles estão sempre debochando de nós.

Num momento extremo, depois de mais um mijo, dou com força desmedida um tapa em seu lombo. Pronto. Que alívio. Ele estava precisando, argumento. Minutos depois, ele aparece, como sempre, balançando o rabo, mostrando as presas como se quisesse rir.

E por que ele continua com tanta passividade, depois de um ato violento? É que não estamos acostumados com tamanho amor. Cachorro não sente paixão, não sente calor do momento. Cachorro sente amor, o verdadeiro, tolera tudo e troca a ignorância do dono pela companhia do dono.