sábado, 5 de setembro de 2009

Quando a gente se gosta, elas também gostam...


Foram-se os tempos de masturbação individual. E o sentimento de insegurança, de se achar incapaz de encontrar um amor verdadeiro e perpétuo, além da auto-estima baixa, tudo isso agora é passado.
A moça de vermelho – numa sincera conversa com a mãe – confessou que sempre o achou interessante. A de preto, do outro lado, observava-o todos os dias, pela janela, numa atmosfera platônica. E a outra, de calça branca, revelou sua queda na primeira vez que o viu, disse que era uma coisa de pele, de química.
E tudo isso aconteceu com o moço da foto, porque ele passou a confiar em si, porque agora ele se gosta...

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Expressionismo na relação


Arte de Vincent Van Gogh


É o que determina a vida útil do casal. Estou cada vez mais seguro disso.
Em cada conversa que travamos, torço para que os verbos não se repitam. Gosto de ouvi-la, porque nunca acerto os pronomes que irá usar, quando suponho um oblíquo, ela usa um reto. É sempre uma incógnita a posição do sujeito na sua cabeça, é sempre uma incógnita sua estrutura frasal. Os nossos ouvidos riem. Quando fomos convidados para uma cerimônia importante, eu imaginava uma escova progressiva. Tolice. Ela realçou o crespo, para a minha grata surpresa. Isso é gostoso, porque desidrata a lógica, neutraliza a cobrança.
Nosso namoro não é realista, não queremos compromisso com o real, tampouco surrealista, não somos um casal tão inconsciente assim. Nosso namoro é expressionista. Adoramos percepções distorcidas das formas. Pintamos o nosso sexo com tons fortes. Nosso compromisso é com a subjetividade dos dois.
As pessoas podem olhar, opinar, apreciar ou depreciar. O que elas nunca saberão é o que esses dois artistas sentem na confecção desse artesanato diário, que é o namoro.

domingo, 30 de agosto de 2009

O Orkut já me fez chorar, numa quarta e numa quinta


Era uma linda noite de quarta feira. Tão linda que não queria dormir, não queria desperdiçar a beleza da luminosidade das estrelas, que invadia as duas janelas de minha patética saleta. Devidamente alimentado, estava com gás para navegar nesse mundo de faz de conta, que é o da Internet. Mas meu senso de humor começara a dar sinal de cansaço, na medida em que as horas corriam. As páginas pelas quais passava já não evocavam concentração, precisava respeitar o meu cérebro e os meus olhos. Pois bem. Eis que num dos últimos movimentos com o rato, surge, pequena, no canto direito da tela, uma mensagem. Era um novo e-mail. E o pior: era de uma mulher. Pior ainda: não era da minha namorada. Ela, a tal mulher, desejava – singela e humildemente – ser minha amiga no Orkut. Nunca me importei em adicionar novos amigos, o único critério que levo a sério é que essa pessoa tenha algo que me chame atenção. E ela não tinha algo que me chamasse a atenção, tudo, absolutamente tudo, no seu Orkut, chamava-me à atenção. Fora incrível dissecar os detalhes daquela inesquecível página. A sua descrição era perfeita, rápida, verdadeira, poética. As comunidades que pertencia, todas, eram alternativamente inteligentes. Não podia ser real, relutava em babar diante de uma máquina ultrapassada, uma máquina que hoje vale 200 reais a muito pau e a muita corda. Tudo em vão. Naquela altura, meio maço de cigarros já pairava na atmosfera. Mas faltara algo. Sim, as fotos. Deixei naquela luminosa noite de quarta feira, propositalmente, suas fotos por último. Sabia que seria o clímax.
Orgasmo para as retinas. Eu não vira nada igual.
Seus olhos eram verdes, não, eram castanhos, não sei, eles mudavam de cor de acordo com a luminosidade de cada fotografia. Seus cabelos eram deslumbrantemente negros, brilhavam como os raios de sol cortando a mata virgem. Sua pele tinha uma cor de madeira nobre, a mesma cor da minha cuia preferida para fazer chimarrão, nas manhãs de sábado. Em transe, verifiquei que havia um novo e-mail. Não. Não podia ser verdade. Sim. Eram palavras produzidas por ela para mim:

“Desculpa, eu sei que não te conheço, mas tomei essa liberdade, pois te achei super bacana. Obrigada. Bju, Joana”

Ela já estava mais que aceita, há horas.
No outro dia, uma cinzenta quinta feira, ela, a Joana, já não pertencia a minha rede de amigos. E nunca mais ousou um contato.
Por quê?
Porque certas coisas são executadas por motivo de força maior.



Ah, namorada... ( quero tanto separar sua cabeça do seu corpo)