sábado, 6 de fevereiro de 2010

As estações


Sinto inveja daqueles que viveram as quatro estações bem definidas. O ano sugeria comportamentos. Para cada estação, um dia diferente. Para cada época, um espírito diferente.

O que me parece é que não vivemos mais assim. Não temos mais as estações definidas. O comportamento se perdeu, ou melhor, ficou confuso. A frieza e o encolhimento estenderam-se para o verão.

O despudor e a ousadia para o inverno. Acho que com as estações definidas, permitia-se mais humanismo. Ou seja, manifestavam-se os gostos e os desgostos, e as pessoas assimilavam essas oscilações.

A estação permitia isso. O período do ano contextualizava ou contribuía para o jeito de ser de cada um. Cada estação revelava uma manifestação.

Não foi à toa que a Legião Urbana intitulou seu álbum de As quatro estações. Isso porque eles passaram um ano em estúdio, trabalhando nessas canções. Fico pensando o quanto de poético e introspectivo teve nesse trabalho.

E fico pensando também para onde vamos, ou seja, será que as pessoas se adaptarão a isso? Acho que sim, acho que a raça humana viverá só com o calor ou só com o frio ou com as duas coisas ao mesmo tempo.

Só não sei que tipo de humano será esse.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Desserviço à Boemia


Nunca pensei que uma poeira escura e sem graça que aparece na TV tivesse mais peso que uma cervejada entre amigos. Não sou também das pessoas mais indicadas para sentar o pau na televisão. Também sou televisivo.

Vivi uma rejeição na pele. Tínhamos programado uma grande noite. Todos haviam recebido de suas respectivas empresas. Mil planos eram traçados para aquela noite calorosa. No fundo estávamos com medo das consequências.

Mas nem de longe a expectativa correspondeu. A maioria dos participantes daquela noite não apareceu. Combinaram entre si uma sessão restrita de Lost. Fizeram de uma sala um camarote vip.

Senti-me um lixo: minha conversa, meu imaginário, meu humor não tem o mesmo peso de uma trama bem amarrada pelos estadunidenses. A poeira de Lost é muito mais sedutora que o meu papo.

Entretenimento é uma coisa discutível, ou melhor, subjetiva. As pessoas têm o direito de optarem pelo o que fazer, com o que irão se divertir. Mas uma coisa é certa: o seriado Lost presta um desserviço à boemia