
Sinto inveja daqueles que viveram as quatro estações bem definidas. O ano sugeria comportamentos. Para cada estação, um dia diferente. Para cada época, um espírito diferente.
O que me parece é que não vivemos mais assim. Não temos mais as estações definidas. O comportamento se perdeu, ou melhor, ficou confuso. A frieza e o encolhimento estenderam-se para o verão.
O despudor e a ousadia para o inverno. Acho que com as estações definidas, permitia-se mais humanismo. Ou seja, manifestavam-se os gostos e os desgostos, e as pessoas assimilavam essas oscilações.
A estação permitia isso. O período do ano contextualizava ou contribuía para o jeito de ser de cada um. Cada estação revelava uma manifestação.
Não foi à toa que a Legião Urbana intitulou seu álbum de As quatro estações. Isso porque eles passaram um ano em estúdio, trabalhando nessas canções. Fico pensando o quanto de poético e introspectivo teve nesse trabalho.
E fico pensando também para onde vamos, ou seja, será que as pessoas se adaptarão a isso? Acho que sim, acho que a raça humana viverá só com o calor ou só com o frio ou com as duas coisas ao mesmo tempo.
Só não sei que tipo de humano será esse.
