sexta-feira, 14 de agosto de 2009

K-PAX na madruga da plim-plim


Certos filmes não cansam as minhas vistas. E poucos têm esse poder comigo. Na madrugada de hoje, cansado depois de uma formatura, ligo a TV – num volume bem baixinho – para me ajudar no sono. Bobagem. Tive de ajeitar os meus dois travesseiros e buscar os cigarros que estavam na cozinha. Os cigarros são como pipoca, para os não-fumantes entenderem. Prot, o protagonista, já estava no meio do seu relato, infelizmente. Não importa. Puta filme! Religião, astronomia, filosofia, psicologia. Tudo isso inteligentemente amarrado numa trama ficcional.
Eu não sou um entendido na matéria, mas minha alma masculina, com um pouco de sensibilidade, faz-me captar esses diálogos. Metáforas inteligentes, coisas legais que saem da boca de Kevin Spacey e Jeff Bridges.
obs:por vezes, sinto-me um pouco de lá, um pouco k-paxiano.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O poder do barraco


Não adianta dizer que não assisto à novela. Será que alguém vai acreditar? Só os próximos sabem que não assisto. Fui impedido de assistir um jogo da segunda divisão do campeonato brasileiro. Ainda bem. Quando me disseram o que iria acontecer, na novela, não resisti à tentação. Apertei com o dedo indicador o numero seis, fiz um chimarrão e pus a almofada no sofá. Era um acontecimento tipo Apollo 11. Todos estavam esperando. Foi impressionante. O suor amargo dando brilho ao rosto de Abel, suas babas largas voavam sobre a cabeça daqueles que testemunhavam à cena. Seus olhos castigados. E a Norminha? Não sabia o que fazer, para onde olhar, suas peças íntimas ao léu. Um misto de vergonha e vaidade.
Todos esperavam tal fato, todos esperavam o barraco.
E não importa se o barraco é encenado, as pessoas gostam de vê-lo.
Inclusive eu.

Implicações do cotidiano universitário: no máximo em fotos

Por quê? Por que eu não quero ver ninguém da faculdade?
Meus colegas? Não.
As gurias? Também não.
As gurias mais bonitas? Dói-me dizer que nem essas.

Os professores? Tá doido!!

domingo, 9 de agosto de 2009

1500 por mês e as paredes de papelão


Foi o que vi. E me entristeci. Hoje, na televisão, vi jovens de 12 e 13 anos sendo levadas a salões de beleza para dar um trato no visual. 12 e 13 anos. E não era pouca coisa. Aparelhos sofisticados fazendo barulho sobre rostos ainda em formação, maquiagens pesadas em olhos inocentes, profissionais em volta, dando assistência. Não havia amiguinhos e conversas de adolescentes. As conversas eram de gente grande. Elas diziam que era importante, que a aparência é importante. Suas mães? Elas riam diante daquele quadro deprimente. 1500 reais por mês para ser refém de um padrão estético. 12 e 13 anos. Com esse dinheiro dá para pagar uma viagem, dá para matriculá-las num curso de língua estrangeira, dá para investir um pouco mais na intelectualidade.
Tudo bem.
Eu sei que não tenho nada a ver com isso.
Eu sei que o dinheiro não é meu. Mas eu sei também que, em outro programa, minutos depois, a repórter mostrava a favela em profundidade, mães criando seus filhos a duras penas, morando em casas com água pela canela, protegidas (protegidas?) por paredes feitas de papelão.