Quando nos juntamos há uma espécie de forçação de barra. Isto é, arruma-se todo e qualquer pretexto na tentativa de permanência do grupo. Tudo em prol do grupo.
Um jogo da copa, por exemplo, é um belo pretexto para que nenhum deixe o mesmo ambiente. Um prepara o chimarrão, e todos se preparam para gozar o futebol diferenciado.
Perto do fim do jogo, arruma-se outro pretexto, desta vez, mais saboroso: churrasco com cerveja. Pronto. Dá-se um jeito para que não falte comida na mesa de todos, numa espécie de paternalismo grupal.
No fim da cerveja, não da carne, arranja-se outra atividade para que nenhum, absolutamente nenhum se deixe. Por que tamanho medo diante de um até breve? Diante de um simples tchau?
Talvez seja para forçar o desencontro com a solidão. A solidão que a distância promove em cada um, e que, para cada um, é diferente.
Paixões não-correspondidas. Paixões meio correspondidas. Paixões supercorrespondidas.
A paixão que está em outra cidade. A paixão que está nas coisas de outra cidade. A paixão que pode ser alcançada em vinte minutos. A paixão que pode ser vista diariamente, mas difícil de tocá-la.
Cada um guarda consigo os motivos para que o grupo não se desfaça tão facilmente. Talvez seja mesmo a voz de uma amizade que se revela verdadeira, difícil. Não acredito em amizade fácil. Fácil é empatia, afinidade.
O fato é que é uma delícia participar de um grupo que deseja exclusivamente a permanência do mesmo, exercendo uma forçação de barra gostosa.
