domingo, 12 de setembro de 2010

Infantil idade derrubada




Em plena madrugada, quatro homens e uma mulher debatiam as nuanças da paixão, relatavam seus amores correspondidos ou não. Até que, voltando ao presente, confessei-lhes que tinha uma professora simplesmente maravilhosa.

Expliquei-lhes que ela reunia virtudes de adolescente num corpo experiente. Todos riram de mim. Chacotearam a minha confissão. Tripudiaram as minhas observações. Desqualificaram as minhas impressões. Um deles, então, proferiu:

- Negão, eu me apaixonava pela professora quando era criança!

Foi-me dado um soco asfixiante no peito, com essa frase. Será mesmo que eu estava agindo como um guri? Será que estava revelando uma insegurança ou imaturidade, na medida em que ainda me impressionava facilmente por uma professora?

Até que, segundos depois, ela, a única mulher daquela saleta aconchegante, indagou-me:

- Mas ela é casada? Por acaso te informaste?

Mais um soco com o mesmo efeito chegava a meu corpo. Ela estava reconhecendo, com essas perguntas, a sinceridade de um homem. Ela estava legitimando o meu gosto. A única mulher presente entendendo um homem, afirmando uma incoerência gostosa.

Respondi-lhe que não, que mal sabia sobre sua vida. Ela reagiu com uma simples franzida de testa.

Voltei da reunião entendendo um pouco mais sobre a beleza da diferença entre os sexos. Voltei para meu mundo gostando ainda mais de uma companhia feminina, de como ela é importante para nós.

Voltei para casa gostando ainda mais da professora.