sábado, 27 de março de 2010

Vinte e quatro horas errôneas



É estranho recusar um convite especial. Mais estranho é recusar um convite especial de uma pessoal especial. E o pior é que todas as evidências apontavam pra uma experiência extraordinária. Uma sessão solene do prazer.

A noite, a lua, o clima. A dama-da-noite invadia forte. Meu amigo, ontem, ligou entusiasmado para a minha casa pra um convite especial: tomar uísque com energético na companhia de algumas garotas interessantes. Ora, quando recusaria isso?

Sou homem suficiente para publicar meu grau de galinhes. Sou homem suficiente para absorver opiniões ácidas de outros homens, diante da recusa do convite. Sou homem para manifestar meu senso de feminilidade.

É que a oportunidade veio nas vinte e quatro horas errôneas. Não estava aberto para o desenvolvimento de um papo sedutor. E impaciente. Só acredito na sedução quando os dois estão dispostos para o fôlego da paciência.

Eu sei que todos têm pelo menos um dia do ano a ser esquecido. O dia em que não reconhecemos nada. O dia em que não nos reconhecemos. Esse dia pra mim foi ontem. A audiência da solidão.

Há dias, porém, que não respeitamos a convenção mundial dos calendários. Vamos de encontro as fusos, vivemos a madrugada que já passou. Desejamos aquele por do sol. Aquela companhia.


O ano poderia ter um dia a menos. E um dia poderia ter 48 horas.