Num passado não muito distante, o termo pedreiro designava apenas o profissional que trabalhava com pedra e cal, como a título traz. Como o dicionário traz. Aliás, sempre achei essa uma das profissões mais bonitas. Conseguia, com esse termo, fazer uma relação íntima com a realização de sonhos.
Hoje, o termo designa, também, uma pessoa que fuma pedra. Que fuma crack. Tal vocábulo, hoje, não me remete mais a realização de sonhos. Remete-me ao medo. Remete-me à tristeza.
A linguagem tem dessas coisas. O maconheiro, há alguns anos atrás, era entendido com vilão para muitos, mas era filosofia de vida para outros, era também curtição para muitos. O “pedreiro”, nesse contexto, (assustador contexto) não abre um viés para outra interpretação, infelizmente.
Resolvi escrever esse texto, e desde já assumo toda a responsabilidade, porque me incomoda o fato de ver as pessoas usando pedreiro para identificar aqueles que consomem essa droga. Minha mãe, quando viu um jovem no centro da cidade em condições lamentáveis, concluiu com essa palavra.
Eu não quero incorporar essa expressão ao meu vocabulário. E também não quero que o Aurélio dê mais uma acepção para esse termo. Chatear-me-ia ver esse verbete ampliado.
