Adquiri, nos últimos anos, o hábito de pesquisar pessoas interessantes no orkut. Por vezes, perdia meu sono para achar alguém. Quando encontrava, a decepção vinha logo em seguida.
Deixava-me seduzir pelas comunidades em que participava, pelas fotos, pelo trabalho profissional de alguns álbuns. O que mais me chamava atenção, no entanto, era a definição do perfil.
Pela prática, estabeleci alguns critérios de avaliação. Se o perfil era extenso, a pessoa já estava mergulhada no desespero. Falava só para agradar, não havia muita verdade naquelas palavras.
Se o perfil era curto, tratava-se de alguém com pouca criatividade. Alguém comum, com medo de passar da conta, de se expor. Bobagem. Bacana é se expor com inteligência.
Só o tempo para terminar com esses mitos. Constatei que tudo não passava de virtuosidade. Era tudo miragem provocada pela luminosidade das máquinas. O orkut é o nada em certa medida de complexidade.
Quando duas pessoas se encontram de verdade, tudo não procede. As coisas que antes caracterizavam aquela orkuteira são reduzidas ao nada, o toque e o olhar trazem uma nova concepção do caráter.
Concluí, então, que aquele trabalho com a linguagem não passava de picaretagem. O perfil do orkut só vale até o momento em que as duas pessoas sentem o cheiro uma da outra.
