
Eu não reconheço problema em alimentar as incertezas. Os pescadores vão para a água movidos pela incerteza. Os peixes não são certezas absolutas, e a pescaria não será frustrante, quando empregada prazer.
Eles vão para o mar e levam bebida, comida, amigos. Contam piadas, causos, anedotas. Esse é basicamente o roteiro de uma pescaria. E a incerteza da pesca não joga no buraco a diversão.
Eu aprendi a enxergar prazer na incerteza. Não preciso examinar se a cama está mesmo firme para poder gozar. Meus melhores gozos foram em camas bambas. Meus melhores acampamentos foram decididos em cima da hora.
Vivia ingenuamente porque pensava exaustivamente antes. Passava antivírus antes de todo e qualquer programa. Não era garantia contra a frustração. Quando me dava um clique de segurança, via-me com a máquina já infectada.
Não devemos esperar por algo que talvez não vá chegar. Não devemos procurar algo que talvez não iremos encontrar. Não devemos amar alguém que talvez não nos ame. Quando não há diversão.
Mas quando sentimos prazer, quando há diversão, a incerteza vale muito a pena. Talvez mais que a certeza.