sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Breve ensaio sobre o café


O tom da sua pele é café-com-leite. Tenho vontade de bebê-la. Pura, em sua essência. Sem complementos. O melhor café é o bebido. Esse momento intimista em que é possível ouvi-lo descendo sua traquéia.

Sem conversas, sem ruídos. Não damos bola para o que estão dizendo sobre nós, sobre mim e o café. Bloqueio meus tímpanos, e o café esconde-se em mim. Ele percebe que só encontrará a realização dentro do meu corpo.

E eu só me sentirei saciado quando sua matéria fizer parte da minha. Eu não urino café. Café não é impureza. Impureza lembra cerveja. Café não combina com apelação. Café lembra sutileza.

Os divulgadores não saem por aí, em seus carros, anunciado café free para elas, nem dose-dupla para eles. Ele não é uma bebida prostituta, dessas que se compra e se usa.
O café é um especialista, ou seja, só te ouvirá com dia e hora marcados. Assim, ele te orientará.

Só lembramos da primeira professora, do primeiro beijo, de tudo que fizemos, quando bebemos café. Se fizermos isso bebendo outra coisa é só para não se sentir excluído da conversa.

O café é um acompanhamento espiritual em forma líquida.