quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Anti-profissionalismo na relação


Eu achava que ela reconhecia muito bem os limites de seu laboratório. Achava que em sua bolsa havia apenas perfumes que liberavam fragrância, além de maquiagens. E também um espelho. Mas outras coisas estavam maquiadas...

Isso só pode ser ambição. Como é que não havia percebido? Ela sempre me diz que brinca de Deus, de segunda a sexta. Ela afirma e reitera que a biotecnologia faz o impossível, coloca flores em pedra, transforma o preto e branco em anil.

Agora tudo faz sentido nessa madrugada de quinta. Levei mais de meio ano para constatar seu espírito malévolo e ambicioso. Ela se aproveitou e se aproveita do meu estado de intoxicação, do meu transe, só para satisfazer a inteligência do seu corpo.

Por isso que me sinto embriagado todas as vezes que ela faz o chimarrão. Por isso que suas mãos têm um tato diferente, que parecem liberar uma descarga sobre meu peito. Por isso que seu beijo adormece meus lábios e meu aparelho fonador silencia.

Minhas cordas vocais atrofiam-se e sua língua anestesia minha ansiedade.

Preciso de uma clínica de desintoxicação, já! Limpar-me desse amor que ela criou ambiciosamente em seu laboratório e que agora – enquanto escrevo - exala da minha pele e se espalha pela casa, quase como um incenso.

Serão anos de sessões...