
Acabei de assistir um documentário produzido pelo Canal Brasil sobre a vida dos moradores de rua das grandes cidades. Interessantíssimo. Tal documentário suscitou-me um questionamento que faço agora: por que as pessoas bem sucedidas são tidas como inteligentes? Até que ponto a ascensão social está ligada à inteligência ou capacidade intelectual? Nesse documentário, vi pessoas marginalizadas e com fome pondo em xeque à questão do voto obrigatório, por exemplo, contestando o tempo de mandato de um senador, falando sobre a importância do estudo entre as crianças, analisando com propriedade o movimento de uma sociedade regida por um sistema tortuoso, corrupto. Entre essas pessoas, um senhor comentava, inteligentemente, sobre seu fascínio para com a literatura. Ele escreve e considera-se escritor.
Fantástico!
Eu vi tudo isso, eu vi aquilo que não queremos ver, que costumamos virar a cara para fugir de possíveis constrangimentos sociais. É que nós sentimos vergonha de um contato com essas pessoas, essas pessoas, essas pessoas... essas pessoas?
Enxerguei lucidez, equilíbrio, claridade na calçada noturna. E vejo nos escritórios luminosos alucinação, obscuridade, embriaguez.