quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Não compartilhamos os mesmos códigos


Papai e mamãe tiveram todo o cuidado para parecer lúdico, aquele processo. Esperaram uma luminosa manhã de domingo para proferirem as seguintes palavras: - filho, tu sabias que vieste dos nossos corações?

Eu já estava numa fase em que podia absorver o impacto daquela informação. Era o que eles imaginavam. Eles estavam errados. Passei a usar como pretexto todas as vezes que me repreendiam. Covardemente.

Eu os agredia com a pior das agressões, aquela em que os hematomas são invisíveis a olho nu. Anos depois, choquei-me com a sabedoria popular, parecia que ela era feita pra mim. A população produz os provérbios.

E um deles diz que toda a maldade dirigida a alguém, o retorno é dobrado. É o que aprendi. Eis o que pauta o meu viver: a cautela. Penso duas ou três vezes antes de dizer algo a alguém, por mais que esse alguém seja inconveniente.

E mesmo assim tenho a convicção de que continuo ferindo as pessoas. Por mais que experimento conversas longas e animadas, posso agredir no apagar das luzes, na produção da última frase. Ainda não domino virgulação, não domino pontuação.


É errando que se aprende diz outro provérbio. Não erro com as pessoas como errava com papai e mamãe. Hoje, erro talvez pela inocência de achar a que a melhor palavra para mim é também para o outro. Esqueço que o vocabulário é individual.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Não tenho como não ser celeste!


Eu sei que o Maradona já me emocionou. Ele e outros tantos. Não quero parecer ingrato com o talento argentino. A Argentina é e sempre vai ser a Argentina.

Mas não tem como não torcer pelo Uruguai. Vivi 1 ano numa região fronteiriça, fronteira com o Uruguai. E por essa razão peguei um carinho especial por esse país.

Hoje a noite é o dia da celeste.
Vamo, celeste!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Isolação


Eu agora consigo entender a importância que Freud teve e ainda tem no universo. Agora estou experimentando seus conceitos, vivendo suas teorias, sofrendo com a constatação. Indelével constatação. Pratico um tolo protesto: a isolação.

Não encaro nada de frente, nada de peito aberto, como mostram os comerciais bonitos de televisão. Não pratico as atividades mais sadias para a alma, como procurar contornar os problemas com uma conversa branda e duradoura.

Não tenho paciência com os outros, muito menos comigo. Sou intolerante comigo. Desligo a televisão, fecho a porta do quarto e junto meus dicionários. É assim que me isolo. E torço para que ninguém interrompa minha leitura.

Enquanto isso ouço varias vozes na sala. É a mãe que não para um minuto com o controle. Eu agora entendo. Ela busca o afago de uma companhia. Ela gostaria que o filho, seu único, a acompanhasse. Ao me isolar, isolo minha mãe por tabela.

E o peso sobre minha cabeça aumenta. Se o meu egoísmo, que me acompanha a vinte e sete anos, me tortura, agora ainda mais. Porque existem pessoas, poucas pessoas, que bem ou mal se importam comigo, se interessam por mim.

E ao negar a possibilidade de uma companhia dessas pessoas, nego também a possibilidade de me fazer entender. E violento a paciência dos outros.