
Não conseguiria suportar por tanto tempo o banco do carona imóvel. É muito triste uma ferramenta sendo mal utilizada. Sensação esquisita essa de visitar os lugares mais povoados na companhia fiel da solidão.
Agora ela voltou. Agora preciso bater todas as semanas o tapete ao lado. E conferir o cinto. Agora posso contar com sua solidariedade de ajeitar o espelho para sairmos da vaga com segurança. Dirijo melhor.
O quadrado, na época, nunca esteve tão quadrado. O laranjal não tinha mais o mesmo significado. Quando chegava lá batia uma vontade de sair logo de lá. Não me dedicava em achar uma vaga na sombra, numa posição boa para ver o que acontece aos nossos olhos.
Os entregadores ganharam dinheiro comigo nesse período. Os lanches saiam da chapa direto para minha mesa. Sentia saudade de pedir o cardápio pra entrarmos num consenso. Eu comia o que ela comia, dava-me prazer.
Agora voltaram nossas conversas nos bancos. O quadrado hoje serve para passarmos a semana em revista e projetarmos a próxima. O laranjal estimula nossa imaginação, ele permite que sonhemos com nossa casa de praia, com nossos amigos por lá.
Agora voltei a puxar assunto com os garçons. Nossa preocupação voltou a ser com uma mesa disponível e bem posicionada. E com a noite. E com nossas vidas. E com a nossa relação.
Tudo isso porque o banco do carona do meu carro voltou a ser ocupado. O banco voltou a ter sentido pra mim.
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