
Angustiava-me ver meus amigos com uma gama de miniaturas. Eu sentia isso. Era chato. Quando a brincadeira mudava de palco, eu não tinha muitas possibilidades, aliás, eu só tinha uma possibilidade. Mas ao mesmo tempo em que eles, os meus amigos, tinham muitos heróis, não sentiam por eles carinho, reconhecimento. Eu, no entanto, dava todos os meus créditos a ele, ao Homem de Ferro. Foi o único boneco que mamãe comprara pra mim. Não vivi com o homem-morcego ou o fortão verde ou o todo poderoso de capa vermelha. Estes, só via pela televisão. O Homem de Ferro era mais que um herói, ele era meu ouvinte. Um ouvinte particular.
Por isso que quando tiver meu filho, vou presenteá-lo com apenas um boneco, um herói. Quero vê-lo sentir o que seu pai sentira, na ausência de tantas celebridades mudas, na presença de apenas um ídolo. Único ídolo amigo.
O filme é fruto de um telefonema meu.
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