quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Cigarro intragável


Os fumantes têm por hábito formar um grupinho de fumantes para curtirem o tão gostoso vício. Qualquer fumante em companhia lembra qualquer mulher na boate quando vai ao banheiro. Essa duas classes formam grupinhos.

Na faculdade, a cada intervalo de aula, vê-se uma ótima oportunidade para atualizar os assuntos via nicotina. E quando esse grupo já possui alguma convivência, mais gostosa é a fofoca química.

Nos últimos tempos, o grupo do qual eu fazia parte se dispersou. O curso natural dos semestres me levou a pedir fogo para um estranho, a emprestar fogo para um qualquer.

Era tão gostoso quando eu levava para casa um marlboro avulso do Rafinha. Ele sempre me amparava na escassez. Era bom quando eu punha a mão no bolso do meu jeans e me deparava com o bic branco da Isabela. Com o cricket preto da Andréa. Havia fogo de sobra nessa parceria. 

E não havia aflição quando carregávamos por engano o aparato tóxico de cada um. Sabíamos que faríamos inevitavelmente as devidas devoluções no dia seguinte. Praticávamos um regime socialista do vício.

Hoje não acontece mais isso. Esses companheiros de longas reuniões estão no exílio de suas cadeiras. É como se cada um pertencesse a um partido, com dia e hora diferentes para reunião.

Quando comprava cigarros mais fortes, expunha para eles a dor que me causava na garganta. Eles, como bons companheiros, também relatavam suas
experiências com outras marcas.

Mas de todos que fumei, o mais intragável é o de agora. Causa-me uma dor no peito toda vez que dou uma tragada e vejo que não há mais ninguém em minha volta.

Não há mais ninguém da nossa roda

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