terça-feira, 6 de julho de 2010

A utilidade do dedo

Para o Gaúcho da Fronteira, como humilde homenagem.



Meus dedos muito já me serviram para aliviar a pressão de meses sem sexo. Mesmo tendo carro e uma quantidade suficiente de dinheiro para pagar uma menina, não tenho o descolamento necessário para transar sem beijar na boca. Sou um rapaz do interior.

O Gaúcho da Fronteira já falou sobre o dedo de uma forma muito mais artística. Não quero, de jeito nenhum, ter a pretensão e a empáfia de comparar tal trabalho com um singelo e bobo texto, como este.

 Eu apenas quero ter a coragem de me deter em apenas uma utilidade: a do sexo solitário.

O sexo sem limites. Sem limite de idade, sem limite geográfico, sem barreiras sociais. Muitas vezes, já transei com mães de amigos meus e até com algumas artistas da Globo. E foi louco.

Já transei com professoras minhas. E não foi tão louco assim. Aliás, era horrível quando as encontrava em sala de aula, no dia seguinte, com roupas forçadamente formais. E quando me repreendiam, dava-me uma gana, uma vontade de escancarar para a turma:

- Eu já baixei a calcinha dela!

E já menti muito sobre o sexo solitário. Era difícil demais admitir, para os amigos, que praticava esse sexo quase que compulsivamente, a ponto de lembrar a quantidade de suor e a dor nos tendões por estar com eles permanentemente contraídos, em busca do momento máximo.

Meus dedos, hoje, mudaram. Amadureceram comigo. E tornaram-se exigentes. Não corre mais o suor, não há mais a judiação dos tendões. Eles agora se comportam como verdadeiros digitais. As digitais.

As digitais que leem outros olhos, outros dedos, outras formas. Quando toco em alguém, elas logo me avisam quando haverá e quando talvez haja aquele mesmo momento máximo, sobre o qual todos nós nos referimos.

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