segunda-feira, 19 de julho de 2010

Não sou cult para TV



Atormenta-me o fato de eu não apresentar um gosto cult para televisão. Com oitenta canais disponíveis, fico circunscrito a pouco mais de seis. Meus ouvidos já gravaram os comerciais.

Ontem, uma amiga me colocou numa situação constrangedora. Depois de um longo papo malicioso, pisei em falso quando a indaguei sobre o que via. Disse-me que assistia um filme argentino, no tele cine Cult. Na vez dela, porém:

- Estou vendo o superpop.

Dois minutos depois, confessou-me que precisava descansar e em sua foto, repentinamente, apareceu offline. Foi-se sem ao menos me dizer que achava a Luciana Gimenez bonita.

Cavei minha própria cova e joguei todas as minhas pretensões para com ela no ralo. Por que não tive a inteligência de mentir e dizer que estava emocionado ao ver o beijo que o homem-aranha dava em Mary Jane Watson, depois que ela arreda sua máscara, na chuva?

Perdi também a possibilidade de mostrá-la que compenso essa breguice televisiva com atitudes românticas. Com gestos singelos e honestos.

Tomo cuidados que hoje soam como caretice. Faço questão de escrever para minha namorada, afora os recursos eletrônicos. Essa menina poderia ter conhecido minha verdadeira letra.

Essa menina poderia ter visto e sentido que sou cult na relação.

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