Grosseiro, educado, humilde, arrogante. Já me disseram muito isso. No princípio achava bacana, afinal, eu tinha o dom de ser quatro em um só. Mas esses adjetivos que me incomodam justamente pela rotatividade. Uma imobilidade irritante. Uma imobilidade que me apavora.
Eu gostaria de falar para alguns dos meus professores, por exemplo, o quanto eles são ridículos, o quanto não passam de marqueteiros. Mas aí vem minha educação, minha polidez circunstanciada, que me sinaliza que preciso de notas para ter férias.
Eu me controlo para não dizer aos meus vizinhos que eles são idiotas, que não fazem outra coisa senão vigiar uma outra vida tão idiota ao seu lado. E me controlo também diante dos meus cachorros, que me tomam a paciência quando mijam em lugares inoportunos.
Mas aí entra minha humildade, que reconhece dois animais irracionais e que também sofrem com as minhas ações, às vezes, irracionais.
Esses dias, mandei uma mensagem para uma menina que estava ficando. E gostando. O teor dessa mensagem era estupidamente amargo, infeliz. Quanta grosseria tenho dentro de mim, meu Deus?! Será ela inesgotável?
Anteontem, mandei outra mensagem tentando reparar esse erro. E o teor dessa era humilde, educado, doce. Tudo para tentá-la levar para a cama. E comê-la. Quanta arrogância minha!
Grosseria, educação, humildade e arrogância. Quatro substantivos abstratos que me definem, quatro sentimentos diferentes que me revelam. E me aprisionam.
Quero ser um alguém além dessa postura aquém. E não vejo outra maneira de subverter isso senão pela paixão. Tenho convicção disso porque já senti isso. Já fui um aleatório, um sujeito com formas confusas e muito mais interessantes do que esses meus quatro lados.

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