Será que terei o mesmo jogo de cintura sem cheirar a álcool? Será que não me intimidarei com meu próprio grau de consciência? Virarei eu um chato, um careta?
Tenho medo de ser um daqueles que se preocupam mais com os outros do que consigo mesmo. Um careta que sai para a noite para comentar deselegâncias, para ver só o que ele acha graça em ver.
Soltarei a língua no momento certo? Essa é a minha principal dúvida. E o meu principal receio. Soltarei a língua no momento certo? Quero ter a mesma iniciativa de um bêbado. Não quero dispensar meu teor de desaforo do corpo.
E elas? Elas se importarão em beijar um sóbrio ou me rejeitarão por me julgarem careta? Eu sei. Estou sendo paranóico. É que utilizo o álcool há mais de dez anos.
Minhas cantadas e minhas insinuações sempre estiveram mergulhadas numa bebida e outra. Minha confiança diante das mulheres sempre esteve intimamente ligada à quantidade de bebida consumida, por mais inseguro que isso possa soar.
Não quero falar mais nada. Minha atitude em abandonar o álcool é para sair por cima com ele. Poder olhar para o passado e perceber que tive momentos mais felizes do que infelizes.
Como um jogador de futebol, que precisa saber o momento certo de pendurar as chuteiras, que ainda quer ser lembrado como um exemplo saudável. Eu percebi que estava na hora de pendurar meus copos de vidro.
Quero provar bocas com um tato mais aguçado. Com beijos mais profundos. Um sóbrio na noite, um bêbado nas relações.

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