quinta-feira, 4 de março de 2010

Refração



Não consigo direcionar o feixe da atenção quando estou no Messenger. Parece que há forças paralelas que desviam meu foco. Quando converso no programa, sofro com a refração.

É que não estou vendo os trejeitos do receptor. A linguagem corporal, tão decisiva para o movimento do diálogo, é escamoteada. O contentamento ou o descontentamento é neutralizado.

E a foto acima só contribui para a aflição. Um miserável recurso para os olhos. Olho sem ver. Não sei se estamos conversando a sós, não sei o grau de atenção que está me dando.

Defendo a tese de que só se dá bem no MSN quem tem esperança. A esperança de estar agradando. Entra-se na conversa com entusiasmo, mesmo que do outro lado haja esnobe.

E digita as palavras sem medo dos desvios gráficos, como numa conversa. O internetês não é uma forma rápida, é um modo de negligenciar os dígrafos, os acentos. No MSN, não há espaço para uma fala articulada.

Ainda não me adaptei. Preciso do cheiro, dos olhos, da linguagem áudio-visual. A tela luminosa escurece o retorno, mas ilumina a curiosidade, dá luz à possibilidade de um diálogo real. Físico.

Um comentário:

Sobre borboletas... disse...
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