Perdi o entusiasmo para com algumas pessoas. Sou um entusiasta da solidão. Saia de casa só pelo simples prazer de uma conversa coletiva. Quase não havia em mim espaço para a decepção.
O meu amadurecimento foi cruel comigo mesmo. E com algumas pessoas que me cercavam. Ele fez de mim audiência para a televisão. Mas fez de mim um leitor. E o rádio do meu quarto nunca tocou tanto.
Conversas que não empolgam mais. Comentários inconvenientes meus. Os trejeitos de alguns que antes eram engraçados, agora são irritantes. Meu ouvido desenvolveu um gosto. Meus olhos são punitivos.
Cultivo um retrocesso na medida em que preciso de álcool para ser acessível. E se tem algo que preso e admiro é a humildade. Mas às vezes ela passa longe de mim.
Aquisição de manias. Envelhecimento precoce. Adolescência prolongada. É muito difícil achar o entendimento da maturidade. Mostro-me tão maduro quando converso com uma mulher. Sou um infantil quando estou só.
Quando vou à locadora, por exemplo, o processo de escolha de um filme ultrapassa cinquenta minutos. E não loco nenhum. Fico especulando as sinopses, imaginando as histórias. Minha fantasia prejulga meu lazer.
Espero que isso seja uma fase desse amadurecimento. Quero voltar logo para o comprometimento de viver com o descompromisso desse rigor que me isola.

Nenhum comentário:
Postar um comentário