
Não pude evitar. A árvore estava na sala, ao lado do televisor, linda. Os presentes decoravam a estante. Luzes e mais luzes. E ruídos de fogos. E nós dois. Desferi as tais palavras.
Elas me incomodavam. Não suportava mais elas acumuladas no meu gogó. Pensei e pense e pensei. Mas devia de falar, não tinha jeito. Ou falava ou o ano subseqüente ficaria manchado.
- quero me separar!
- hahahah, que brincadeira de mau gosto, respondeu.
Paramos por dois minutos num flerte assustador. Não havia clima pra mais nada. Mesmo sabendo das consequências, não controlei o ímpeto da minha vaidade.
Sempre levei a risca o conceito de ser feliz. E estar ao lado dela – naquela altura - era estar muito longe disso. Era uma traição dupla. Os dois corações precisavam saber, não havia mais tempo.
Lembro-me que dormir na sala do meu amigo, naquela noite, foi pior do que produzir aquela sentença na sala. Foi muito pior. Por que não agi antes? Por que posterguei a proposta do meu coração?
Nunca fui tão inconveniente num dia só. Nunca fui tão provido de vaidade numa noite. Estraçalhar uma ocasião assim, com apenas três palavras.
Verdade é que aprendi a ser mais humilde.
Mas ela nunca mais olhou na minha cara.
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