
- Lá vêm eles, resmunga a moça do bar...
Reclamações sobre os colegas desinteressados, observações sobre os professores mais arrogantes, lamentações sobre as notas. Salário. Futuro.
A incapacidade de se concentrar, a recusa à disciplina, as leituras que ainda não foram lidas. O desejo de encarar, paradoxalmente, outro curso. O malte. Tudo isso sai com naturalidade na medida em que o malte entra. É o processo natural de uma mesa de bar.
E há espaço também para reflexões estreitamente masculinas. A guria com o par de coxas mais avantajado da sala, a mais metida, a bobinha, a meiga. E a professora? Não, a professora é sempre avaliada em consenso: ou serve pra todos ou é apenas a professora.
Nessa altura, os problemas já ganharam tons confidenciais, o irmão que é chato, a namorada que exige relatório semanal, a vontade de levar uma colega pra cama. Cadê o pudor? Já falamos antes de pensar.
- Qual festa tem hoje? Quem toca? Quanto é pra entrar? Tu vais ir?
- Tchê, a gente tem que combinar uma festinha, um churras.
-Certo, certo!
É o fim que se anuncia. É o malte acadêmico que já usou e abusou de meia-dúzia de universitários.
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