segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Isolação


Eu agora consigo entender a importância que Freud teve e ainda tem no universo. Agora estou experimentando seus conceitos, vivendo suas teorias, sofrendo com a constatação. Indelével constatação. Pratico um tolo protesto: a isolação.

Não encaro nada de frente, nada de peito aberto, como mostram os comerciais bonitos de televisão. Não pratico as atividades mais sadias para a alma, como procurar contornar os problemas com uma conversa branda e duradoura.

Não tenho paciência com os outros, muito menos comigo. Sou intolerante comigo. Desligo a televisão, fecho a porta do quarto e junto meus dicionários. É assim que me isolo. E torço para que ninguém interrompa minha leitura.

Enquanto isso ouço varias vozes na sala. É a mãe que não para um minuto com o controle. Eu agora entendo. Ela busca o afago de uma companhia. Ela gostaria que o filho, seu único, a acompanhasse. Ao me isolar, isolo minha mãe por tabela.

E o peso sobre minha cabeça aumenta. Se o meu egoísmo, que me acompanha a vinte e sete anos, me tortura, agora ainda mais. Porque existem pessoas, poucas pessoas, que bem ou mal se importam comigo, se interessam por mim.

E ao negar a possibilidade de uma companhia dessas pessoas, nego também a possibilidade de me fazer entender. E violento a paciência dos outros.

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