
Agora sofro por não saber guiar na chuva, mesmo usando pneus de pista molhada. Eu não tive a devida preparação. Menosprezei as categorias inferiores, vi possibilidade de sucesso direto na principal. Não consegui controlar o meu ímpeto.
Farei, a partir de hoje, o que já devia ter feito: voltar. Começar a me dirigir na etapa dos iniciantes. Pela primeira vez pilotarei um Kart. Esse é o processo natural na vida de qualquer piloto, com ou sem talento.
É que os elogios foram muitos. Diziam que eu possuía frieza na hora de uma ultrapassagem, que tinha arrojo, que era delicado com o meu carro, que sabia valorizar a máquina que estava em minhas mãos.
Mas os elogios nem sempre mostram o que se passa nos bastidores. Os especialistas em fórmula um ainda não viam em mim um piloto pronto, ou seja, em plenas condições de brigar por título. Não dominei minha vaidade ao ignorá-los.
A sensação que tenho é que uma voz soprou em meu ouvido, brandamente. Ela disse que deveria parar com aquilo, que não deveria insistir naquela ilusão, por mais que a tentação de notoriedade fosse gostosa.
Eu não estava em paz comigo, por isso resolvi ouvi-la. E agora o que me resta é a humildade de reconhecer que o meu lugar, por enquanto, é no Kart. Preciso reparar o erro de não ter treinado primeiro com peças menores e mais simples.
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