sábado, 12 de setembro de 2009

Companhia com solavancos



Como um casal, dividimos dois espaços entre quarenta disponíveis. Nossa movimentação só poderá atingir um ângulo de 45 graus. Sob tal circunstância, é a hora de mostrar, mais do que tudo, o quanto somos amigos um do outro. Ofereço meu ombro esquerdo para que ela possa descansar ou cansar de pensar, de planejar, de refletir, até que suas pálpebras não aguentem as horas em linha reta.

E com o peso de sua cabeça, também reflito, também partilho meus desejos, minhas falhas, minha satisfação. Nossa conversa ganha um tom de confissão. E os solavancos do ônibus servem para arrumar ainda mais o que já estava arrumado. Os solavancos servem para reforçar o carinho. O motorista o faz de propósito.

A garrafa de água mineral que carrego e que abro, no fundo, é para ela, é para ratificar a importância da companhia, é para mostrá-la que não está só. E eu sei que em sua consciência, o moço sentado ao seu lado, na poltrona 22, também está seguro de que entre 40 espaços, dois foram reservados para a companhia do casal.

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