Quando ele chegou à porta da boate, de conversível, boné e jeans bacanas, imaginei que sua noite seria um estorvo para os homens. E foi. Ingressou sem pagar, subiu ao mezanino e pediu uma garrafa de uísque.
Passadas algumas músicas, lá estava o cara ao pé do olvido daquela morena. Ambos riam escancaradamente. É claro que está agradando-a, concluí.
Fiquei imaginando como devem ser as noitadas daquele carinha. Muitas morenas rindo pra ele.
Desisti de observá-lo e resolvi fazer a minha festa. Decidi ser adulto antes que me viesse um complexo de inferioridade juvenil. E curti. Curti!
(...)
Cansado e suado, aquela era minha última ida ao banheiro. Eis que, no corredor de acesso, deparo-me com a morena, aquela, linda, que sofria o assédio de, talvez, o cara mais bem-sucedido da casa.
Mas não era o carinha. Era um cara, que, sorrindo, punha um pequeno pedaço de papel em seu bolso, enquanto ela, também sorrindo, guardava uma caneta na bolsa florida.
Supus que fosse seu E-mail, seu Messenger sendo posto no bolso daquele cara com um jeans bem mais modesto que o meu.
Mijei perplexo.
Mijei fora do vaso.
O cara ingressou rindo, abriu seu zíper, e eu não resisti: te desse, hein?!
- Velho, vi que ela tava queimando um magrão metido, me aproximei, pedi uma caipira e nós ficamos de papo a noite toda. Até sobre arte a gente conversou.

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