quinta-feira, 20 de maio de 2010

Retorno à adolescência




Comporto-me como um bebê diante do mar. Não faço a menor ideia do que é baliza ou salva-vidas. Acho que sempre posso ir além. Pressuponho que se eu mergulhar, todos virão comigo. Preciso de bóias nos braços e na cintura.

Meia dúzia de ferramentas é suficiente para me divertir. Um copo, um garfo, uma colher, enfim, isso já basta se vier da mesma pessoa. Eu só preciso ser presenteado por uma só pessoa.

Minha exigência é que meu estímulo venha de um só lugar. Fico vulnerável quando outros dão pitaco no meu divertimento. Sou individualista e arrogante. Na areia, não permito interferência alheia na construção do meu castelo.

O mar da paixão é perigoso. Faz a gente esquecer todos os tropeços, todas as falhas do passado são cobertas pela água que, de tempos em tempos, repara a areia e alisa nossos passos úmidos.

Somos crianças órfãs na paixão. Cadê as pessoas para perguntar se precisamos de algo, se não estamos com fome de alguém? Nesse mar, o daltonismo se manifesta. Bandeira branca e vermelha significa o mesmo.

Preciso ser adolescente diante do oceano. Apenas curtir. Juntar os amigos e aproveitar cada momento na praia, sem pudor. Beijar uma amiga e colega na boca sem achar que retornaremos para casa juntos.

Não quero a racionalidade do adulto. Ele, às vezes, não curti o domingo ensolarado porque já pensa na segunda. Dispenso a ingenuidade da criança, que precisa de monitoramento contínuo.

 Quero curtir esse mar com a leveza e espontaneidade de um adolescente, sem esperar que todos mergulharão. Alguns só pensam em molhar os pés. E só.

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