segunda-feira, 26 de abril de 2010

Indivisível



Sempre dividi meus brinquedos com os meus amigos. Não via problema em emprestar meu melhor carrinho à pilha, meu melhor boneco. Acho que aprendi com o meu pai a pensar na coletividade.

Quando maior, continuei praticando o voluntarismo. Na escola, emprestava os meus cadernos para os relapsos e até copiava algumas coisas para as gurias. Pensava que se estivesse pensando no coletivo e em mim, não haveria problema.

Só que cresci. E cresci num contexto de carência, de amor não correspondido. Por isso, meu senso de coletividade foi sendo ofendido pela competitividade do mundo dos adultos.

 Passei, então, a não acreditar mais no amor. Achava que isso era coisa de filme exibido no sábado à noite. E continuo achando que o amor é uma abstração distante demais e que confunde as pessoas.

Mas o que vivi, há poucos dias atrás, fez-me reavaliar essas questões. Não que agora eu acredite no amor ou que eu tenha recuperado meu voluntarismo. É que fui correspondido. Outro corpo respondeu aos sinais do meu de uma forma desconhecia.

Ela me abraçou. E me beijou. E tomados por um calor, excitamo-nos deliberadamente num corredor a meia luz.

Eu posso ser criticado, a partir de agora, por assumir uma postura ainda mais egocêntrica, individualista. É que com ela não há como pensar na coletividade. Com ela, não há como dividir nada com ninguém, nem com ela.

Esse momento com ela é tão somente meu.

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