Eu não suportava perder uma pelada para ele. Mas se jogasse a meu favor, corria em dobro. Não suportava não dar a vitória para ele. E assim os anos iam se passando. E assim nossa amizade ia se construindo.
Só a ausência me trouxe a percepção da relação. Éramos amigos, eu e ele, mas éramos amigos de todo mundo. Não havia possibilidade de medir nossa amizade. Havia doses de amizades espalhadas pelo bairro.
Não gosto dessa história de escala de valor. Todos têm valor. Mas estou convicto da tal afinidade. A afinidade traz o entendimento. O entendimento estabelece respeito.
Ele é o cara que mais sabe levar a vida com leveza. Continua com isso. E leveza não significa falta de postura crítica. Criticidade, aliás, ele sempre teve de sobra. Aprendi a ter capacidade de contestação nos ambientes com o Jonas.
Aprendi a ter bom gosto com o Jonas. Seus discos, seus objetos. Seu rigor pela música de qualidade. Jamais o verei comprando um CD pirata. O Jonas é original demais!
Alguns têm o dom de despertar nos outros o prazer. Outros, de despertar a ira. Alguns, o que é pior, não despertam nada. O Orelha tem o dom de não sei o quê! O Orelha é um mistério. Um mistério que nos cativa. Um mistério que nos fascina.

Um comentário:
Muito bom! Orelha é uma pessoa inoxidável!
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