quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Expressionismo na relação


Arte de Vincent Van Gogh


É o que determina a vida útil do casal. Estou cada vez mais seguro disso.
Em cada conversa que travamos, torço para que os verbos não se repitam. Gosto de ouvi-la, porque nunca acerto os pronomes que irá usar, quando suponho um oblíquo, ela usa um reto. É sempre uma incógnita a posição do sujeito na sua cabeça, é sempre uma incógnita sua estrutura frasal. Os nossos ouvidos riem. Quando fomos convidados para uma cerimônia importante, eu imaginava uma escova progressiva. Tolice. Ela realçou o crespo, para a minha grata surpresa. Isso é gostoso, porque desidrata a lógica, neutraliza a cobrança.
Nosso namoro não é realista, não queremos compromisso com o real, tampouco surrealista, não somos um casal tão inconsciente assim. Nosso namoro é expressionista. Adoramos percepções distorcidas das formas. Pintamos o nosso sexo com tons fortes. Nosso compromisso é com a subjetividade dos dois.
As pessoas podem olhar, opinar, apreciar ou depreciar. O que elas nunca saberão é o que esses dois artistas sentem na confecção desse artesanato diário, que é o namoro.

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