
Foi o que vi. E me entristeci. Hoje, na televisão, vi jovens de 12 e 13 anos sendo levadas a salões de beleza para dar um trato no visual. 12 e 13 anos. E não era pouca coisa. Aparelhos sofisticados fazendo barulho sobre rostos ainda em formação, maquiagens pesadas em olhos inocentes, profissionais em volta, dando assistência. Não havia amiguinhos e conversas de adolescentes. As conversas eram de gente grande. Elas diziam que era importante, que a aparência é importante. Suas mães? Elas riam diante daquele quadro deprimente. 1500 reais por mês para ser refém de um padrão estético. 12 e 13 anos. Com esse dinheiro dá para pagar uma viagem, dá para matriculá-las num curso de língua estrangeira, dá para investir um pouco mais na intelectualidade.
Tudo bem.
Eu sei que não tenho nada a ver com isso.
Eu sei que o dinheiro não é meu. Mas eu sei também que, em outro programa, minutos depois, a repórter mostrava a favela em profundidade, mães criando seus filhos a duras penas, morando em casas com água pela canela, protegidas (protegidas?) por paredes feitas de papelão.
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