
Os dois estão buscando uma melhor concentração. Sabem que a tarefa não é fácil. A preparação foi intensa. Horas a fio de muito treinamento consciente. Quando estamos sós, somos só lucidez, disciplina, cautela. Por isso, colocamos a vitória num patamar excessivamente alto. Vivemos demais o nosso corpo, os adversários, a competição. Estudamos, desnecessariamente, a história de cada um, afinal queremos a certeza do ótimo desempenho.
Somos atletas olímpicos e temos de nos comportar como tal. Disseram isso. Ela se preocupa com as outras nove que estão na pista, além de sua maquiagem. Quer demais derrotá-las. Ele está com medo de encarar o favorito e sente inveja de sua aparência, que é ótima.
Cadê o seu amor pela profissão e sua alegria de saber que fará o melhor? Ela prefere esconder o jogo, diz que um terceiro lugar é satisfatório. Sua fala não corresponde ao seu real desejo.
E quando está perto do tiro, às veias dilatam, a adrenalina trabalha, o corpo prepara-se para a possibilidade da derrota. Então, muitos não aguentam esse momento e desistem. Outros, porém, sabem da importância de ir até o fim, não têm medo do pior, querem algo a mais em suas carreiras.
E geralmente, esses que não desistem experimentam a gostosa sensação de por os pés no lugar mais alto do podium.
Contrariando todas as previsões.
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