terça-feira, 28 de julho de 2009

Milhares de composições num único movimento de rotação


Eu nunca matei aula de geografia. Meus colegas diziam-me que as gurias estavam no pátio esperando por nós. Resistia à tentação. Por isso, aprendi que o movimento que a terra faz em torno do seu eixo chama-se rotação. Eu sei também que se trata da mesma rotação que o vinil ou o CD ou o dvd fazem. Todos nós somos interpretes. O que os habitantes da Terra fazem durante 24 horas em 365 dias? Fragmentos de composições jogados no cosmos. Ontem, por exemplo, quando fazia amor, cantava o créu na velocidade cinco. Jantando, lembrei-me de “resto do mundo”, composição de Gabriel, O pensador. Quando jogo futebol, um programa de auditório vem à tona em minha imaginação. Eu estudei Freud e Alan Kardec, por isso sei que todos fazem isso. O primeiro me disse que são os impulsos e os sentimentos reprimidos ingressando no compartimento chamado consciente. O segundo me falava de manifestação natural da alma, esta constituída de corpo mais espírito.
Isso não importa muito.
O que importa é o que Albert Einstein falou: as partículas viajam numa teia feita de tempo e espaço.
Esses fragmentos de notas e melodias e arranjos estão em perene viagem.
Universo a fora.

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