quarta-feira, 27 de maio de 2009

Beijar é um ato, sentir é um fato.


Eu sei. Isso é lindo. É um caso raro. É um exemplo. Eles se amam. Eu sei. Eu sei de tudo isso e os admiro, muito. Esse casal é a mais clara constatação de que o beijo não diz muita coisa, aliás, no caso deles não diz nada. Porque são 44 anos que eles, Tarcísio e Glória beijam bocas alheias e o que é pior: um vê o outro. Não me venham dizer, leitores ingênuos, que o que eles fazem é beijo técnico. Não existe beijo técnico, leitor teimoso, não existe. O que existe é beijo com sentimento e beijo sem sentimento. A língua, a saliva, os dentes e o hálito estão ali e são reais. No entanto, apesar das diferentes bocas beijadas ao longo de quatro décadas, eles nunca se traíram, nunca! Porque a carne, apesar de tentadora, serve como mandato tampão, depois de um tempo ela é consumida ou apodrece. O sentimento, não! O sentimento é inexplicável, não há fórmula, nem o Jô, com toda a sua inteligência e desenvoltura, tira deles o segredo, nem eles explicam o que lhes unem. Nem a língua, a saliva, os dentes e o hálito da saborosa carne da Bruna Lombardi foram capazes de tirar o sentimento que Tarcísio tem por Glória. Isso que é lindo.

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