
Eu nasci e cresci vendo meus pais verem as novelas da Globo.
Todos os dias, religiosamente, eles, pai e mãe faziam um chimarrão para assistir os românticos capítulos da novela do horário nobre. Papai, sempre cansado porque seu serviço era pela madrugada, fazia as vontades de minha mãe que sempre foi uma noveleira assumida. E nesse quadro, eu, ainda moleque, ficava deslumbrado com a beleza dos traços de uma atriz. Era a Malu Mader. Seus traços sempre foram perfeitos. Suas sonbrancelhas robustas, duas doses caprichadas de sardas cobrindo suas bochechas, o nariz fino, seu sorriso. Que mulher, pensava. E refletia: será que existem outras parecidas com ela por aí? E se existir, eu serei capaz de conquistá-la? Na época, não entendia muito bem o movimento dos capítulos nem as mudanças bruscas de humor dos meus pais quando viam as novelas. E quando os perguntava, eles respondiam: tu ainda és muito pequeno pra entenderes, filho.
O tempo passou e junto com ele os questionamentos. Agora eu entendo a sequência dos capítulos, as mudanças bruscas de humor, o sacrifício que papai fazia para acompanhar mamãe. Agora eu vi que existem outras Malus por aí.
Eu acabei de conquistar a minha.
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